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Quase 49 mil idosos foram vítimas de violência em Minas em apenas cinco meses; média é de um crime a cada 13 minutos

Imagem: Magnific

A violência contra a pessoa idosa continua sendo um dos principais desafios da segurança pública em Minas Gerais. Entre janeiro e maio de 2026, 48.945 pessoas com 60 anos ou mais foram vítimas de crimes no estado, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número representa uma média de um idoso vítima de violência a cada 13 minutos.

Apesar do volume elevado, houve redução de aproximadamente 5% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 51.596 ocorrências.

Os dados ganham ainda mais relevância diante de casos recentes que chocaram a população mineira. Em Belo Horizonte, um casal de idosos foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital. A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais constatou que Maria Clotilde, de 76 anos, foi atingida por sete golpes de faca, enquanto o marido, Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, sofreu 17 perfurações, totalizando 24 golpes.

Mais denúncias não significam, necessariamente, mais violência

Para a delegada Juliana Califf, titular da Divisão Especializada em Atendimento à Mulher, ao Idoso, à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerâncias (Demid), o aumento das denúncias observado nos últimos anos também é resultado da maior conscientização da população.

Segundo ela, campanhas como o Junho Violeta e a divulgação dos direitos garantidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa fizeram com que mais casos chegassem ao conhecimento das autoridades.

“Houve um aumento no número de denúncias ao longo dos anos, mas esse fenômeno não reflete apenas um crescimento da violência. Ele também está relacionado à maior visibilidade do problema e à conscientização da população”, explica.

A delegada ressalta que existe diferença entre o número de denúncias e os casos efetivamente confirmados após investigação.

“Muitos idosos deixam de denunciar por medo, dependência emocional ou física do agressor, que frequentemente é um familiar, ou por receio de sofrer represálias”, afirma.

Ela destaca ainda que a denúncia é apenas o primeiro passo para que o Estado possa agir.

“A denúncia é um alerta. A confirmação da violência exige perícia, investigação policial e acompanhamento da assistência social.”

Violência acontece, principalmente, dentro de casa

De acordo com a Demid, os crimes mais frequentes contra idosos em Minas Gerais são:

  • negligência e abandono, como falta de alimentação, higiene e medicamentos;
  • violência psicológica, com ameaças, humilhações e isolamento;
  • violência patrimonial, quando familiares se apropriam da aposentadoria, pensão ou bens da vítima;
  • violência física, incluindo agressões e maus-tratos.

Segundo a delegada, entre 80% e 90% das ocorrências acontecem dentro da própria residência da vítima e, na maioria das vezes, os autores são filhos, netos ou outros parentes próximos.

Golpes virtuais estão entre as maiores preocupações

Outro ponto de atenção das autoridades é o crescimento dos golpes financeiros praticados pela internet contra idosos.

Segundo Juliana Califf, as ciberfraudes têm aumentado de forma preocupante, aproveitando a vulnerabilidade das vítimas para aplicar golpes por meio de aplicativos, redes sociais e contatos telefônicos.

Além disso, cresce também a violência motivada pela dependência financeira de familiares.

“Muitos idosos acabam sustentando toda a família com a aposentadoria. Quando essa renda passa a ser utilizada sob pressão, ameaças ou coerção, estamos diante de uma forma de exploração que tem se tornado cada vez mais comum”, alerta.

Dependência dificulta denúncias

A delegada explica que um dos maiores obstáculos para combater esse tipo de violência é justamente a dependência que muitos idosos têm dos próprios agressores.

Em diversos casos, a vítima depende do filho, neto ou cuidador para atividades básicas do dia a dia, o que torna a denúncia ainda mais difícil.

Além disso, crimes como violência psicológica e patrimonial costumam ocorrer dentro de casa, sem testemunhas, dificultando a produção de provas e a responsabilização dos autores.

As autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo da violência e garantir proteção às vítimas, principalmente diante de um cenário em que milhares de idosos continuam sofrendo abusos, muitas vezes dentro do próprio lar.

Informações O Tempo

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